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Sobre tudo que não ficou dito

Posted by Carol Riff On 2.11.16 1 comentários
Tudo que não ficou dito guardo comigo
Que é maior que o infinito
Tudo que não ficou dito é quase um problema
Difícil guardar tanto sendo tão pequena

Tudo que não ficou dito é imensidão
Que se perde nas batidas dum acelerado coração
Tudo que não ficou dito é carinho velado
Tudo que sinto quando estou do seu lado

Tudo que não ficou dito, que sem querer eu confesso
No brilho escondido de cada olhar olhar que te dispenso
Tudo que não ficou dito, sobre a mardita saudade
Sem você parece que não sinto a danada da felicidade

Tudo que não ficou dito é maior que o infinito
Quase tão grande quanto meu anseio de voltar para meu abrigo. 
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Saudade II

Posted by Carol Riff On 10.9.15 0 comentários
Saudade é como a brisa gelada de um fim de tarde quente que refresca, traz bons momentos mas logo depois esfria, congela e machuca.

É sentimento faceiro de gosto doce e amargo que traz lágrimas aos olhos. É a comprovação da existência dos laços, a reação natural de fios vermelhos que foram separados, que urgem para novamente convergir, se unir.

E é também o espaço sagrado, das memórias bonitas, de sorrios marcados, de coisas boas que ficaram para trás, em algum pequeno pedaço da história.

É paradoxo cruel e único que torna cada segundo eternidade muitas vezes infernal.

Saudade é o vazio estranho, inquieto e tamanho que chega a impedir de dormir.
É o que se sente sem muitas vezes saber definir.

É o que mais tenho sabido sentir.
E é também o que sinto sem ti. Aqui.

(Sinto sua falta mais do que sou capaz de medir) 
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Saudade

Posted by Carol Riff On 4.11.13 0 comentários
Ainda é cedo amor, mal começastes a conhecer a vida...

Hey, minha velha, um ano passa rápido né?

O tempo voa mas a saudade se arrasta de forma dolorosa.
Se arrasta e se esconde, só pra voltar naqueles momentos em que detalhes não tão pequenos assim aparecem. E volta com força, corrói e não há nada o que se possa fazer. Pessoas boas vão embora o tempo todo mas a teoria é sempre mais bonita que a perfeição. A dor do outro é sempre mais fácil e não há hipocrisia em dizer que nenhum de nós quer sofrer mas que todos nós amamos. E quando se ama, há que se sentir saudade e sofrer.

Há que se sentir falta de coisas pequenas que na verdade eram enormes, que querer voltar à certos momentos que não voltam mais. Há que se ouvir uma música e sentir a presença daquela pessoa amada que não necessariamente era perfeita, mas que fez o seu melhor ou o que julgou ser.

Toda vez que eu ouço o samba do Cartola, vó, eu sinto sua falta. Sei lá porque, mas eu sinto a sua falta. Eu sinto falta da sua voz, das suas manias que me irritavam tanto, do Silvio Santos no Domingo a noite, das conversas da madrugada. Eu sinto falta do seu feijão maravilhoso, de jogar baralho com você, de ouvir você brigando com o Guma com vários nomes diferentes. Eu sinto falta do barulho da sua pulseira, da sua presença.

eu sinto sua falta, imensamente.

E o mais engraçado é que a ficha parece que não caiu ao mesmo tempo que caiu. Parece que você ainda tá viajando e que vai voltar a qualquer momento, mas não é verdade. Parece que foi ontem que tudo aconteceu e que não foi há um ano atrás.

As coisas mudaram, vó, a gente continua brigando porque a vida é difícil, e hoje eu durmo na sua cama. Eu olho pro meu quarto e lembro de você, eu olho pra qualquer lugar e lembro do seu "Você é louca! Mas é muito bom, né?" quando eu saí e só voltei de manhã. Eu lembro das suas objeções, das nossas brigas e das nossas desavenças. Lembro de você trocando de canal na hora do penalti pra não ver o Flamengo fazer gol e lembro de você batendo palma porque não podia gritar.

são coisas que eu não vou esquecer.

Eu lembro, e mesmo que eu não tenha sido a melhor neta do mundo, eu só quero que a senhora saiba, aonde quer que esteja que eu te amo, minha véinha cheia das manias e manhas. E eu sinto a sua falta, realmente sinto.

Obrigada por tudo e fica com Deus, vó.
Eu te amo, véinha. 
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Espelho

Posted by Carol Riff On 26.10.13 0 comentários
Todos os dias me escondo, mascaro-me, renego-me. Todos os dias maqueio-me por fora e por dentro, escondo meus medos, meu pior, minha inveja, meu fel, dentro dos meus sorrisos. Escondo meu cansaço debaixo de minha maquiagem, varro minhas inseguranças para debaixo do tapete de forma pífia, pois elas sempre voltam a me assombrar.

Todo dia, tento parecer o melhor de mim. Mesmo que o que me rodeie seja o pior.

Escondo-me atrás de minhas roupas, atrás de minhas atitudes, mascaro minha dor com as coisas simples, deixo longe de todos o meu pior e mais escuro lado. Todos os dias enfrento de cabeça erguida tudo, mesmo que por dentro seja consumida por mil e um fantasmas que jamais vão me abandonar.

Todos os dias, evito o espelho. Evito minha imagem refletida atrás do vidro. Evito minhas marcas, evito me encarar, evito porque sei que de todos os complexos, Narciso não é o meu. Evito-o porque ele e eu somos capazes de encontrar as rachaduras da armadura que construo ao meu redor. Pois é nele que me vejo, sem maquiagem, ao acordar. É nele que noto que mesmo a maquiagem não pode esconder certas coisas,  é nele que me vejo diante de mim.

E isso é aterrador. Aterrador porque não há ninguém além do espelho. Apenas eu. Apenas a minha imagem refletida. Não há ninguém que possa mudá-la se não eu. Ninguém que possa fazer da maquiagem permanente, ninguém além de mim. Ninguém pode curar as feridas, as rachaduras, as dores e o meu pior. Ninguém se não eu. E assusto-me porque sou tão forte quanto fraca, sou o atrás e o à frente do espelho. O que sofre e o que faz. E o responsável por fazer. Sou a responsável por tirar a máscara e por aceitar todo o resto. Sou o ser vivente na frente do espelho.

Todos os dias me olho no espelho.
Buscando por um dia em que fazê-lo me fará sorrir.
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Vício.

Posted by Carol Riff On 18.9.13 0 comentários
Sou viciada, e como viciada me apresento. Como viciada, reconheço minha obssessão pelo cheiro, pelo toque, pela sensação que minha droga me dá. Como viciada, reconheço de forma humilde que quando começo, não consigo parar. Reconheço que sofro crise de abstinência, que penso quase todo o tempo em coisas que não deveria pensar. No papel de viciada, deito e durmo, e sonho, ah se sonho, com algo do qual era mais sensato me livrar.

Mas não se desesperem, eu não vou dizer a clássica frase do "Posso parar a hora que quiser" pois se pudesse sequer estaria escrevendo esse texto, sequer seria estaria compartilhando algo com alguém. O problema é que não desejo parar, é que gosto de minha droga, que a guardo em meu coração como uma dádiva preciosa, tem como ser pior?

Reconhecer-se drogada e apaixonada por sua droga? 
Qual lastimável isso pode ser?

Vocês devem estar se apiedando agora, certo? Pois não deviam. Sou plenamente feliz, acreditem. Não vendo minhas coisas para manter meu vício e apesar de certas vezes prejudicar minha saúde, não é nada que umas ataduras não resolvam.

Pois sou viciada sim, mas em escrever. Sou viciada, de corpo, alma e coração no cheiro do papel, na sensação da caneta entre os dedos, no barulho do teclado enquanto as letras se formam lentamente na tela, como agora mesmo está acontecendo. Sou viciada no poder de Deus que a mim é conferido cada vez que começo uma história, nos vôos aos quais submeto minha imaginação, que como criança arteira sorri e vai, sem nem se preocupar. Sou viciada no respirar fundo após a escrita, no expurgar dos sentimentos que escorrem em palavras, dão-lhe vida e dão-lhe morte. Sou viciada em escrever até, em meu ritmo íntimo encontrar um ponto final.

E mesmo que leia, grito para o nada, para os bytes vazios de uma página de web, para um caderno solitário que apenas eu sei entender. Deus! Como amo escrever!





Constatação que me surgiu quando, em um ônibus, vi-me desesperada pois havia esquecido meu costumeiro caderninho de escrita em casa e não havia papel nenhum a meu alcance que pudesse guardar com carinho minha idéia.

É, doente ou não. Sou viciada em escrever.
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Grande Empreitada.

Posted by Carol Riff On 19.7.13 0 comentários
Me perco. Me acho. Me esqueço de mim para me encontrar. Me perco em desespero e do desespero faço flor, faço amor, faço dor. Da dor faço arte, força, esperança. Da esperança tiro forças para caminhar, para continuar, sem parar.

O tempo não para.

Choro, caio, levanto, me arrasto, mas faço o possível para não parar, estagnar. Do estagnado nada nasce, mas do estagnado algo renasce. Do renascer, do nascer de novo, do tentar outra fez, do se erguer. Das cinzas se faz a fênix, da fênix e se faz o vôo. E eu vôo, o mais alto que minhas asas podem me levar, tão alto quanto Ícaro, tão alto quanto puder, alto até minhas asas derreterem e se desfazerem, até cair novamente, até aterrissar, até voltar.

A realidade é dura.

Dura, difícil, incompreensiva, impermeável, irrefreável. É irreprimível mas ainda assim tangível e palpável, é dor, amor, sonho, ilusão, é o barulho do salto gasto contra o assoalho, os olhos se fechando ao final de um dia duro, é o passar pelo inferno e voltar. O eterno ciclo de renascer, a queima infinita, do fogo às cinzas, das cinzas à fênix.

É imprevisível.

E assustador, amedrontador, apavorador. É uma sombra escura que passa pela janela em um dia chuvoso, é o que te faz tremer e se esconder, é o medo entranhado na pele, nos olhos, na alma. Mas é também o prevalecer, é o encher-se de coragem, é o erguer da cabeça, o curar as feridas, o exorcizar o fantasma e o seguir. Sempre em frente, sempre.

É não linear.

E se perder, se achar. E fazer nascer no meio das nuvens um sol. É fazer da terra estéril uma flor nascer. É transformar a dor em arte, é deixar o desespero fazer parte, sem no entanto deixar-se engolir. É a grande empreitada de todos nós, a grande jornada para lugar nenhum que todos fazemos sem muito saber. É a incógnita infinita que se altera nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, nos detalhes que passam despercebidos.

É amar, perseverar, apaixonar, dançar, voar. É perder, esquecer, ser, deixar de ser. Renascer, crescer, florescer. É cair, sumir, surgir, emergir, submergir. É viver, da melhor, com intensidade, com vigor, com amor. É ser o que se é, abrir os olhos para o mundo, é andar para o nada. Enfrentar o medo e os fantasmas.

Atirar-se a uma grande empreitada.
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Kitto kawarazu aishiteiru

Posted by Carol Riff On 22.2.13 0 comentários


Esse é um texto diferente dos meus habituais. Não conta uma história, como os outros -Bom, talvez no final das contas acabe contando uma história, mas que é totalmente verídica e eu sou assumidamente uma personagem e...-, na verdade, eu o vejo como uma confissão, uma constatação que eu venho tendo faz tempo e da qual não posso simplesmente fugir.

Se a algum tempo atrás alguém me perguntasse se eu acredito em amizade virtual, eu responderia categoricamente que 'não', sem nem pensar duas vezes. Mas, se alguém me faz essa pergunta agora, eu me vejo simplesmente sem saber o que responder. Eu venho pensado muito nisso esses dias (Talvez eu esteja mais gay de tanto ouvir Angel, ou não, vai saber) e sou obrigada a dobrar minha própria opinião... A abrir um buraco por onde raras exceções passam porque venho sentindo coisas que jamais julguei sentir -As exceções mais maravilhosas que podiam me aparecer-.

A questão é que mesmo sem conhecer fisicamente eu fui fisgada, por uma das melhores pessoas que já encontrei na vida. E o que eu sinto é tão doido que eu nem consigo explicar direito. A vontade que eu tenho de me deslocar os milhões de quilômetros só pra abraçar ela é simplesmente insana e eu já perdi a conta de quantas vezes eu simplesmente quis chorar por não pode fazer mais nada além de digitar uma meia dúzia de palavras bonitas que apesar de expressarem minha opinião, jamais se comparam a um abraço.

É estranho, mas sempre que chego em casa e venho para o computador, espero encontrá-la, nem que seja para conversar por alguns poucos minutos, pra contar um pouco do meu dia e para ouvir do dela, pra ver se ela está feliz e ficar tranquila. É engraçado e talvez poucos entendam, mas toda vez que falo com ela, sinto o peito ficar quentinho, sabe? Aquele calor bom de quando você 'tá' com uma pessoa que você gosta?

E mesmo que o nosso 'estar' seja um tanto inusitado, ele me deixa feliz. Me deixa preocupada também, por ela ser simplesmente boa demais para as pessoas ao seu redor. Não no sentido de ser melhor que os outros -Não conheço ninguém, como julgar?- mas no sentido de ser bondosa, o tipo de pessoa que não faz mal a ninguém mas no entanto é julgada por ser quem é. E isso dói, de uma forma insana, em mim. Dói em mim não poder fazer nada, dói em mim não estar lá pra gritar com fulanas e outros que eles são uns idiotas porque estão deixando de conviver com uma pessoa maravilhosamente fantástica.

Fantástica sim, talentosa, esforçada e forte, mesmo que na maioria das vezes ela duvide disso, mas ela é. Puta forte. É um amor, uma menina de ouro que merecia muito mais amor. Que merecia todo o amor do mundo! Todo mesmo! Alguém que me deixa feliz com pouco, que mesmo sem saber me levanta quando eu estou simplesmente cansada demais para me segurar, mesmo sem saber você faz muito por mim -Além de quase me fazer chorar cada vez que faz uma declaração gay, que me deixa mais gay ainda. ♥

É a menina do sorriso gengival mais biito do mundo, alguém que eu admiro, do fundo do coração. Minha jóia de ametista com coração de ouro ♥ Alguém porque quem eu cantaria mil raps em coreano -O que fica extremamente ridículo como já foi previamente comprovado-, por quem eu decoraria mil danças -Até aprenderia a dançar!-, por quem cataria mil conchas na areia e por quem eu venceria todas as minhas vergonhas só para mostrar o quanto você é especial. Te amo, de novo ♥




Ashita anata no kimochi ga hanarete mo
Kitto kawarazu aishiteiru
Ashita anata ni boku ga mienakute mo
Kitto kawarazu aishiteiru
I will walk together, the future not promised yeah
It keeps walking together, to the future in which you are
Cassis - the GazettE ♥
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Brave Heart

Posted by Carol Riff On 2.12.11 0 comentários
Mordeu a ponta do lápis pela vigésima vez, fitando o papel rabiscado, as formas retilíneas se duplicando em seu olhar. Sacudiu a cabeça e tomou um pouco da água que comprara, o coração batendo a mil, tão rápido que poderia enfartar ali mesmo. Riscou mais uma vez a folha branca, notando como a linha saía tremida, como alguém que se equilibra em uma corda bamba, sem nunca achar um ponto fixo.

Suspirou novamente, o medo lhe subindo pela garganta, rastejando por sua pele e roubando-lhe a energia. Olhou para os lados, onde um menino rabiscava com traços firmes sua folha de papel, produzindo aquilo que ela chamaria de obra de arte. Se sentia como um peixe fora d’água e de repente, sem que percebesse os pensamentos que ela havia reprimido por tanto tempo assaltaram sua mente.

E se todos os desenhos fossem daquele nível? Se todos que ali se encontravam desenhassem infinitamente bem? O que poderia ela fazer com seus rabiscos tímidos e desenhos pequenos? Teria ela forças para lutar? Seu medo se tornando um gigante, ameaçando lhe pisar.

O medo ria em sua face, desdenhoso, enquanto se enroscava mais e mais em seus dedos, os movimentos parando pouco a pouco, a garganta secando e uma estranha vontade de chorar aparecendo nela. Estava entregue ao próprio desespero, amarrada por suas amarras invisíveis quando ouviu aquela voz. Acalme-se; Despertou de seu transe, olhando para os lados. Quem havia dito aquilo? Olhou para o papel novamente, as idéias antes trancafiadas voltando com força, um sorriso doce nascendo em seus lábios.

Quem estava rindo agora? Quem estava paralisado? Ela começou a balançar os pés, que não alcançavam o chão, animadamente, cantarolando uma de suas músicas favoritas. O menino ao seu lado lhe fitando com estranhamento. Ela apenas retribuiu o olhar e sorriu, virando de leve a cabeça para em seguida retomar seu desenho tímido. Podia ser tímido, mas era correto;

As pinturas produzidas ao seu lado não mais a assustavam e de repente o medo de tornou um garotinho desprotegido, que até uma pequena garota como ela poderia enfrentar. Sorriu novamente, fitando o medo encolhido no chão, tão pequeno e frágil. Ergueu uma das mãos, pronta para acabar com tudo, até que percebeu algo.

A mão antes erguida e fechada se abaixou, abrindo lentamente até que estivesse na frente do ser encolhido que olhou para a menina de forma curiosa, notando que uma aura dourada e forte a rodeava. Logo reconheceu a dona de tal aura, a coragem que lhe sorria espoleta, como uma criança que desafia a outra para brincar. Ergueu-se furioso, querendo gritar com aquela abusada que se achava melhor do que ele, e se deparou com um sorriso acompanhado de uma mão estendida.

Eu te aceito, disse a menina, porque você faz parte de mim e não existe a coragem sem o medo. O menino piscou algumas vezes, até olhar nos olhos da menina dourada e entender. Um precisava do outro para existir. Ainda com a expressão fechada, aceitou a mão e imediatamente a menina desenhista sentiu-se leve.

Abriu os olhos, fitando seu desenho de novo, a coragem crescendo em seu peito, quase como a alegria de uma criança e no fundo ela sabia. Coragem estava alegre, pois ela mesma havia superado seu medo, o aceitado e entendido que não devia ser dominada por ele. Que era ela quem estava no comando, por mais que ele existisse.

Porque coragem não era não ter medo e sim ser capaz de continuar andando mesmo que este tente lhe parar.

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Autobiográfico ~ 08/10/11

Posted by Carol Riff On 8.10.11 1 comentários
Abriu as janelas com força, sentindo a brisa gelada que vinha acompanhada dos pingos da chuva forte que castigava a terra. A música tocando alta no quarto, ressoando em cada pequeno pedaço de sua alma, envolvendo-a e trazendo paz. Sorriu largo, nem sequer ligando para o fato da roupa começar a colar no corpo, a voz soando firme junto com a do cantor.
Havia tanta coisa errada em sua vida que ela nem sabia por onde devia começar a consertar. Tantos erros, tantas palavras estúpidas ditas e tantas guardadas. Tantas mágoas e sentimentos engaiolados que às vezes afloravam com força, levando-a às lágrimas... Tantos momentos que ela queria eternizar.

Olhou para si mesma enxergando aquele mesmo tom claro de azul... Queria tanto ser como as outras pessoas, feita daquelas cores quentes e vibrantes! Mas não podia. Quantas vezes não desejara poder mudar a si mesma, quantas vezes não pintara a si mesma de laranja, só para ver a tinta escorrer?

Sorriu de forma amarga, como quando fazia cada vez que queria se esconder. Sua pele lisa escondendo as cicatrizes de sua alma, que apesar de não serem muitas, haviam transformado e muito sua vida. Era quase estranho olhar para trás e se deparar com um sorriso inocente de uma menina de ingenuidade tamanha. Ainda era a mesma, mas o mundo a ensinara que nem todas as pessoas são boas.

Continuava tendo as mesmas manias, os mesmos ataques, chorando pelas mesmas coisas e tendo os mesmos medos. Continuava se sentindo culpada cada vez que era egoísta e continuava morrendo de medo do futuro incerto que sempre lhe esperava.

Medo, maldito medo que lhe segurava os tornozelos com força, impedindo-a de ir para frente. Mesmo medo que derrubava sua infantaria com um golpe, que transformava toda sua convicção em pó e que fazia de sua vida um grande terremoto. O mesmo medo que ela sabia ter de enfrentar, o mesmo com o qual ela sempre lutou...

Sentia-se muitas vezes deslocada, uma estranha no meio das pessoas, um pequeno patinho feio no meio de cisnes e a pequena ovelha negra da família. Amava demais e talvez por isso se doasse demais, arranjando muitas decepções no processo mas nunca aprendendo a amar menos. Se perguntava muitas vezes se as coisas poderiam ter sido diferentes e se havia algo de errado com ela;

Tantas perguntas, capazes de parar uma vida. Ergueu-se, os cabelos pingando e sorriu de modo inocente. Sabia bem de suas limitações e problemas, mas também tinha certeza de que não fora feita para desistir. Havia sobrevivido até ali, mantido as chamas de seu fogo, que por mais que vacilassem as vezes, acesas. Apanhando da vida e apenas aprendendo a como bater, pois sabia que quem desiste não nasce para vencer.

Podia cair e cair, mas seria estaria disposta a levantar.
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Próprio Eu ~18/08/11

Posted by Carol Riff On 18.8.11 0 comentários
Os dedos finos correram pela superfície do espelho, enquanto os olhos capturavam cada detalhe do rosto, as maçãs coradinhas, os olhos bondosos e o sorriso amigável e simpático de alguém que estava sempre disposto a ajudar.

Sorriu. Era linda como uma bonequinha de porcelana, os fios morenos lhe caindo em cachos pelos ombros, a pele branquinha e lisinha quase sem imperfeições e o vestido feito do tecido caro com as rendas delicadas que lhe davam um ar ainda mais angelical. Atraía todos os olhares por onde passava e sorria diante deles.
Acenava levemente para as pessoas que lhe admiravam. Moças tagarelavam sobre sua beleza e a invejavam por parecer tão perfeita. Um anjo sem asas que andava sobre a terra.

Continuava fitando o espelho, notando que aos poucos a imagem se tornava embaçada e distorcida, só percebendo do que se tratava quando a primeira lágrima lhe desceu pela face, correndo rapidamente pela bochecha levemente corada e morrendo no tecido que lhe tomava parte do pescoço. E depois dela, muitas outras vieram, levando consigo a maquiagem perfeita que ela havia feito ao se arrumar.

Sentiu os joelhos tremerem, incapazes de sustentar o peso do corpo que agora parecia pesar toneladas, caindo no chão e sujando o vestido claro que vestira. Os soluços altos preenchiam o quarto silencioso enquanto ela sentia uma mão invisível comprimindo-lhe a garganta e roubando todo seu ar. Sentia-se sufocar, sufocar naquela mentira toda, sufocar naquilo que não era, naquilo que tentara ser e não conseguira.
E foi então que o milagre aconteceu.
O “CRACK” feito pelo espelho a assustou, e ela se ergueu rapidamente, ainda a tempo de ver sua imagem refletida no espelho rachado que criava uma imagem ainda disforme de sua figura outrora perfeita. A imagem de uma máscara caindo. Atônita, ela observou os pedaços rachados do espelho caírem no chão, se transformando em milhões de cacos que não pareciam lhe acertar.

Revelando-lhe alguém.

Recuou alguns passos, assustada com o que estava “atrás” do espelho. A menina rebelde lhe sorriu, sacudindo os cabelos castanhos parcialmente tingidos de vermelho, fazendo as correntes presas à calça jeans surrada produzirem um som. Fitou-lhe atentamente por alguns instantes, o olho adornado por um lápis preto e a boca por um piercing negro e a menina empalideceu.

A figura lhe sorriu debochada, balançando a cabeça negativamente e a menina finalmente notou o quanto eram iguais. O assombro foi diminuindo, enquanto aquela versão dela mesma lhe estendia a mão, em um pedido mudo.
“Liberte-se”
E ela, munida de uma força que nem sabia existir, sem qualquer hesitação, segurou a mão de sua “gêmea” vendo-a sorrir acenando positivamente.
“Seja você mesma”
A menina acordou sobressaltada, olhando e volta e notando o mesmo espelho intacto, sem nenhuma rachadura. Ergueu-se fitando aquela mesma imagem de antes, agora com a maquiagem borrada e torceu a cara levemente. Não queria aquilo, não mais.
Sorriu debochadamente, assim como se lembrara de sua sósia, enquanto as mãos se guiavam para o cabelo, soltando a trança que prendia os fios morenos, deixando-os caírem livres por suas costas. Seus olhos passearam pelo quarto, notando a pequena tesoura esquecida sobre a mesa.

E a mente brilhou em uma idéia.
Tomou a tesoura entre suas mãos e rapidamente a enfiou no meio dos fios longos e uniformes, começando a picotar tufos de cabelo em diferentes direções, sorrindo mais e mais com cada pedacinho que caía no chão. Ria como uma criancinha.

Fitou o vestido que usava, pomposo e caro, mais uma vez colocando sua tesoura para agir, transformando a máscara em um belo acessório. Os risos altos preenchiam o quarto, e logo sua mãe foi ver o que estava acontecendo.
Quase tendo um infarto ao ver aquela cena.
Dentro do quarto, uma menina com cabelos picotados, blusas largas e calça jeans, sorria de orelha a orelha, terminando de retalhar a saia de seu vestido. Expurgando toda aquela sensação ruim que lhe tomava o coração sempre que se via no espelho. Destruindo aquela máscara que ela já estava farta de usar. Quebrando a parede de vidro que a separava de sua essência.
Libertando seu próprio eu.

18 de Agosto de 2011
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“Se você viver por cem anos, eu desejo viver por cem anos menos um dia, para que assim, não passe nenhum dia sem você”
Amigos, talvez seja um extremo clichê falar sobre eles, ainda mais no dia dos amigos; Sei que muitos vão pegar no meu pé e dizer que essa coisa de “ter vários” amigos não existe, que é tudo uma farsa, que cobrimos tudo com panos e não enxergamos a realidade, mas se quer realmente saber, eu não me importo com o que possam pensar.

A questão é que quando se é amigo de uma pessoa, você simplesmente sabe disso. Não são precisos dias especiais nem palavras bonitas para demonstrar isso, não são precisas declarações nem extravagâncias porque simplesmente se sabe. Amigos se entendem com um olhar, se consolam com um gesto e muitas vezes tornam as palavras desnecessárias.
Amigos são aqueles que se preocupam, que compartilham felicidade, mas que também compartilham tristeza, que estão ali para te levantar quando você cai. Que estão ali para sorrir e te estender a mão quando tudo parece ruim demais para se seguir. São aqueles que vão te magoar mas que você vai perdoar por eles simplesmente não fazerem por mal, são aqueles que vão discutir e te xingar quando verem que você está fazendo alguma coisa errada e que vão te repreender falando “Eu te avisei”. São aqueles que são diferentes mas que botam as diferenças de lado apenas pra ficar com você;
São aqueles que são sinceros mas que as vezes mentem dizendo um “Vai ficar tudo bem” que não é tão verídico assim apenas para acalmar alguém. São aqueles que passam pela sua vida e deixam uma marca profunda em você, são aqueles de quem você jamais vai esquecer.

Que sempre estarão com você.
A todos os meus amigos, irmãos que nunca me deixaram na mão e que estiveram sempre ali quando eu precisei. Love you all <3
Viveremos fortemente, somos jovens
Não estou sozinho
Animado eu avanço, porque depois disso,
Estarei eu com meus amigos sorrindo.
Best Friends ~ the GazettE
~20 de Julho de 2011
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