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Saudade II

Posted by Carol Riff On 10.9.15 0 comentários
Saudade é como a brisa gelada de um fim de tarde quente que refresca, traz bons momentos mas logo depois esfria, congela e machuca.

É sentimento faceiro de gosto doce e amargo que traz lágrimas aos olhos. É a comprovação da existência dos laços, a reação natural de fios vermelhos que foram separados, que urgem para novamente convergir, se unir.

E é também o espaço sagrado, das memórias bonitas, de sorrios marcados, de coisas boas que ficaram para trás, em algum pequeno pedaço da história.

É paradoxo cruel e único que torna cada segundo eternidade muitas vezes infernal.

Saudade é o vazio estranho, inquieto e tamanho que chega a impedir de dormir.
É o que se sente sem muitas vezes saber definir.

É o que mais tenho sabido sentir.
E é também o que sinto sem ti. Aqui.

(Sinto sua falta mais do que sou capaz de medir) 
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Saudade

Posted by Carol Riff On 4.11.13 0 comentários
Ainda é cedo amor, mal começastes a conhecer a vida...

Hey, minha velha, um ano passa rápido né?

O tempo voa mas a saudade se arrasta de forma dolorosa.
Se arrasta e se esconde, só pra voltar naqueles momentos em que detalhes não tão pequenos assim aparecem. E volta com força, corrói e não há nada o que se possa fazer. Pessoas boas vão embora o tempo todo mas a teoria é sempre mais bonita que a perfeição. A dor do outro é sempre mais fácil e não há hipocrisia em dizer que nenhum de nós quer sofrer mas que todos nós amamos. E quando se ama, há que se sentir saudade e sofrer.

Há que se sentir falta de coisas pequenas que na verdade eram enormes, que querer voltar à certos momentos que não voltam mais. Há que se ouvir uma música e sentir a presença daquela pessoa amada que não necessariamente era perfeita, mas que fez o seu melhor ou o que julgou ser.

Toda vez que eu ouço o samba do Cartola, vó, eu sinto sua falta. Sei lá porque, mas eu sinto a sua falta. Eu sinto falta da sua voz, das suas manias que me irritavam tanto, do Silvio Santos no Domingo a noite, das conversas da madrugada. Eu sinto falta do seu feijão maravilhoso, de jogar baralho com você, de ouvir você brigando com o Guma com vários nomes diferentes. Eu sinto falta do barulho da sua pulseira, da sua presença.

eu sinto sua falta, imensamente.

E o mais engraçado é que a ficha parece que não caiu ao mesmo tempo que caiu. Parece que você ainda tá viajando e que vai voltar a qualquer momento, mas não é verdade. Parece que foi ontem que tudo aconteceu e que não foi há um ano atrás.

As coisas mudaram, vó, a gente continua brigando porque a vida é difícil, e hoje eu durmo na sua cama. Eu olho pro meu quarto e lembro de você, eu olho pra qualquer lugar e lembro do seu "Você é louca! Mas é muito bom, né?" quando eu saí e só voltei de manhã. Eu lembro das suas objeções, das nossas brigas e das nossas desavenças. Lembro de você trocando de canal na hora do penalti pra não ver o Flamengo fazer gol e lembro de você batendo palma porque não podia gritar.

são coisas que eu não vou esquecer.

Eu lembro, e mesmo que eu não tenha sido a melhor neta do mundo, eu só quero que a senhora saiba, aonde quer que esteja que eu te amo, minha véinha cheia das manias e manhas. E eu sinto a sua falta, realmente sinto.

Obrigada por tudo e fica com Deus, vó.
Eu te amo, véinha. 
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Embotado

Posted by Carol Riff On 24.7.13 0 comentários
Já sentiu dor? Tanta dor que se sentiu sufocar? Que sentiu a necessidade de gritar pro mundo o tanto que estava doendo? Já se sentiu inútil, imóvel, impotente? Já sentiu àquela necessidade de deitar, se encolher e apenas desaparecer?

Já cantou aquela música triste com lágrimas rolando pelos olhos? Já sorriu fingindo que tava tudo bem? Só para que ninguém percebesse que você tava mal? Já fez isso desejando que percebessem, que te dessem um abraço dizendo um "Vai ficar tudo bem" sem fundamento algum? Já se sentiu carente o suficiente para quer apenas um colo quentinho para chorar?

Já chorou por uma mistura de coisas tão grandes e loucas que sequer sabia dizer o que era? Já se sentiu invisível, sozinha, fraca? Um zero a esquerda, alguém com quem ninguém se importa? Já se sentiu engarrafada, escrevendo para libertar todo um conjunto de fantasmas que você não sabia como segurar?

Já sentiu a pressão absurda de sua própria depressão? Já teve o pensamento de querer sumir, desaparecer, pensando que ninguém ia se importar?

Ultimamente, tenho me sentido assim. Embotada, presa, triste e solitária. Tenho desejado um abraço, um sorriso, alguém que olhe pra mim e diga "Vai ficar bem, vem cá!", alguém que se preocupe que seja até chato e que esteja no meu pé. Que aguente minhas reclamações repetidas, meus dramas esquisitos, sem me julgar. Que mesmo sem saber tente me animar. Tenho desejado tirar forças de sei lá onde, desejado não olhar pro lado e me sentir injustiçada, desejado foco e esperança para seguir em frente. Tudo tem sido difícil. Mais difícil do que eu podia imaginar. Tudo tem sido complicado e a sensação de sufoco só vem aumentando, aumentando.

Hoje acho que já chorei todas as minhas lágrimas. Hoje estou no chão, meus braços curtos tentando me erguer, tentando levantar depois de mais uma grande porrada da vida. Me pergunto quando isso vai parar e não chego numa resposta. A vida é difícil, é árdua e as vezes eu mesma duvido que esteja fazendo a coisa certa, duvido que esteja tomando o caminho certo. Não dá pra saber, afinal.

Just the thought of another day
How did we end up this way
What did we do wrong?
God
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Grande Empreitada.

Posted by Carol Riff On 19.7.13 0 comentários
Me perco. Me acho. Me esqueço de mim para me encontrar. Me perco em desespero e do desespero faço flor, faço amor, faço dor. Da dor faço arte, força, esperança. Da esperança tiro forças para caminhar, para continuar, sem parar.

O tempo não para.

Choro, caio, levanto, me arrasto, mas faço o possível para não parar, estagnar. Do estagnado nada nasce, mas do estagnado algo renasce. Do renascer, do nascer de novo, do tentar outra fez, do se erguer. Das cinzas se faz a fênix, da fênix e se faz o vôo. E eu vôo, o mais alto que minhas asas podem me levar, tão alto quanto Ícaro, tão alto quanto puder, alto até minhas asas derreterem e se desfazerem, até cair novamente, até aterrissar, até voltar.

A realidade é dura.

Dura, difícil, incompreensiva, impermeável, irrefreável. É irreprimível mas ainda assim tangível e palpável, é dor, amor, sonho, ilusão, é o barulho do salto gasto contra o assoalho, os olhos se fechando ao final de um dia duro, é o passar pelo inferno e voltar. O eterno ciclo de renascer, a queima infinita, do fogo às cinzas, das cinzas à fênix.

É imprevisível.

E assustador, amedrontador, apavorador. É uma sombra escura que passa pela janela em um dia chuvoso, é o que te faz tremer e se esconder, é o medo entranhado na pele, nos olhos, na alma. Mas é também o prevalecer, é o encher-se de coragem, é o erguer da cabeça, o curar as feridas, o exorcizar o fantasma e o seguir. Sempre em frente, sempre.

É não linear.

E se perder, se achar. E fazer nascer no meio das nuvens um sol. É fazer da terra estéril uma flor nascer. É transformar a dor em arte, é deixar o desespero fazer parte, sem no entanto deixar-se engolir. É a grande empreitada de todos nós, a grande jornada para lugar nenhum que todos fazemos sem muito saber. É a incógnita infinita que se altera nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, nos detalhes que passam despercebidos.

É amar, perseverar, apaixonar, dançar, voar. É perder, esquecer, ser, deixar de ser. Renascer, crescer, florescer. É cair, sumir, surgir, emergir, submergir. É viver, da melhor, com intensidade, com vigor, com amor. É ser o que se é, abrir os olhos para o mundo, é andar para o nada. Enfrentar o medo e os fantasmas.

Atirar-se a uma grande empreitada.
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Unbrekable ya know?

Posted by Carol Riff On 24.6.13 0 comentários

Fly with me cause I'm a Warrior, feel my Power, see my light cause I don't wanna be dark no more.
Move your head, move your soul, move it all along and don't take it slow, dance. Even if you fall keep running, cause when we fall we still have our dreams, we still have our sins, remember the memories of sunny and rainy day. Fight and win your our battles cause everyday I won mine.

U know? I'm kinda unbreakable 

Cause I'm always standing still, cause I'm always wanting to feel new. I'm always falling down, I'm always standing my ground. I'm always running to nowhere, with my broken wings that keep me flying that way. U know i'm unbreakable, even if I'm broken.

I got the power, I got the warnings, I'm taking the shots, one, two, three. I'm just trying to be. To my old fears I can only say goodbye, to the new I say hello cause I'm no hero I'm just a warrior. 

So no more pain, goodbye, goodbye, and no more cry, goodbye goodbye. I will have no mercy, if you're ready to feel put your hands in the air. 

I'm just a freakshow, I'm just someone nobody know, like a sad drama actor freezing on the snow. I'm just dancing in the floor, dancing in the life, dancing with a knife. I'm just dancing in the rain, just smiling without refrain. I'm lost on my own mind, I'm slave of my own sight. I'm not so brave.

I'm just a tired one, with the heart beating fast. I'm just tired of me, tired of be, tired of see. I'm just... I'm from zero... I'm just being punched in the face, help me if you can. I'm just the rebel one.

What can I do? What can I do? I only have one shot, one chance. I'm shouting my voice to the world ! I only have one chance, u know?

U know, I'm unbreakable one, U know? 
I can't lost myself, I can't loose myself.

Cause I know the pain I'm going through even when I close my eyes. Cause I feel the love around me, cause I feel everything that made me be.

Yes i'm hero, but still I'm from zero. I'm a Warrior, I got the Power, I'm unbrekable and all I can say is that

I remember.
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The Pain I'm going through

Posted by Carol Riff On 28.4.13 0 comentários
Eu normalmente venho aqui com algum texto, alguma história que seja capaz de traduzir algo que eu estou sentindo, é prático e costuma ser o meu melhor momento de escrita, exatamente quando as coisas saem direto do meu coração, quando não preciso fingir que sinto coisas que não sinto ou me colocar no lugar de quem quer que seja pois afinal escrevo sobre o lugar que eu mesma sou capaz de ocupar. A questão é que as vezes, as palavras ditas de forma crua, sem estarem escondidas ou mascaradas são necessárias, e nesse momento eu preciso mais do que nunca externar isso para algum lado, mesmo que seja numa página abandonada pelo mundo, algo que ninguém lê. É preciso expurgar a dor que eu estou sentindo, nem que seja um pouco.

A verdade é que eu estou cansada, como um soldado que volta da guerra, como alguém que perde as esperanças aos poucos, uma peça metálica que perde seu brilho pouco a pouco. A diferença básica é que quando algo perde seu brilho logo se vê e o meu sofrimento está aqui, entalado dentro de mim, preso em um canto do qual eu não posso deixá-lo sair. O motivo? Simples. Já ouviu falar em 'efeito dominó'? Pois é, se um cai todos caem e teoricamente eu deveria ser aquela com maior resistência por ser  a mais nova mas curiosamente não sou feita do mesmo aço do qual minha mãe ou pai são feitos. Me sinto frágil como um metal qualquer, um fio de cobre que se dobra a qualquer coisa mas que ainda assim tenta se manter de pé.

Não é fácil e eu sinto como se a chama da minha esperança se apagasse mais e mais a cada dia. Eu tenho 19, mas a vida pesa sobre meus ombros como se eu fosse muito mais velha, ela me derruba e ri na minha cara e cada vez mais eu tenho menos força pra levantar. Menos força porque por mais fé que eu deposite na teoria de que "As coisas vão melhorar" elas não tem realmente melhorado. Na verdade, eu poderia dizer que elas tem piorado e nem toda 'união de família' que eu costumo me orgulhar parece ser efetiva. Vai lá tentar pagar contas com 'união de família' que você entenderá do que estou falando. Nós trabalhamos e trabalhamos e nada parece dar jeito, como se de uma forma louca ainda tivéssemos que passar por mais provações do que as que já tem aparecido em nosso caminho.

Me vejo ainda mais desmotivada ao notar pessoas reclamando de coisas simples enquanto eu desmorono por dentro. Ninguém tem culpa, afinal, do meu azar ou de tudo que acontece, mas dói pensar que um tanto de gente 'má' por aí vive bem enquanto eu e meus pais que lutamos com todas as nossas forças continuamos na mesma situação de merda. Andando pra lugar nenhum, com perspectiva de nada. Veja bem, eu amo meus pais, amo minha vida mas morro por dentro cada vez que vejo no olhar deles o nervoso por não saber como será o dia de amanhã.

Acima de tudo, eu tenho medo, medo de mim, da vida, de tudo que ainda vem por aí e que me sufoca só de pensar, de tudo que ainda vamos ter que enfrentar. Eu só queria que as coisas dessem um pouco certo, será que é pedir demais? Ter um pouco de conforto, só um pouco... Eu só sinto que não aguento mais dor, que não aguento mais a mim mesma, mesmo que ainda me mantenha de pé, segurada por algo que nem eu sei o que é. Só precisava dizer...

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Estrelas

Posted by Carol Riff On 7.9.12 0 comentários
Talvez eu esteja sendo dramática mas como sempre, minhas emoções passeiam em minha pele, alma e coração, e terminam traduzidas em minhas singelas palavras que, humildes se unem para tentar explicar algo que eu mesma não sou capaz de entender.

É nas folhas de um caderno que retomo minha paz, é nos sentimentos tomando forma e no barulho gostoso da caneta riscando o papel que encontro minha melodia favorita. Excêntrica e única.


É chorando e temendo que encontro minha coragem, que vem lá do fundo, como uma luz irrompendo por dentro de uma densa escuridão. É depois de minha própria tormenta, em minha calmaria, que encontro meu lado forte, guardado sempre dentro do pequeno lado frágil. É da minha natureza cair e me levantar, não desistir e sempre ir a frente.

É da minha natureza também, ser inocente, colorir o mundo de boas intenções que às vezes são feitas dos mais densos tons de cinza, faz ´parte de mim chorar minhas lágrimas e as dos outros,  gritar muda sem nem perceber.

Hoje gritei, em um total silêncio, para mim mesma de medo, puro e simples. Gritei em minha alma, em meu âmago, naquele pedacinho perdido que fica a deriva. Gritei para que só eu pudesse ouvir e talvez tenha me escondido dentro de mim mesma, até que uma mão foi estendida.

E o calor reconfortante de um ombro amigo se fez sentir, mesmo que em um sentido dolorosamente figurado. Como em um amanhecer, belo e desafiador, que marca o começo de um novo dia e a tomadas de novos rumos, senti-me crescer em meu interior. O calor se estendendo por todos os lados e me tornando gigante.


Gigante o suficiente para resgatar minha coragem, que julguei ter perdido, e para sorrir mesmo estando diante de um grande desafio capaz de me fazer tremer. Me armarei e me prepararei, sendo ciente de meu medo e estando preparada para enfrentá-lo de peito aberto, para cair, levantar, sorrir e chorar.

E então poder ver quem sabe, um céu cheio de estrelas após um longo dia difícil.
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Cinzas

Posted by Carol Riff On 6.8.12 1 comentários
          Rabiscou o papel sem muito interesse bufando em seguida. O café fumegante sobre a mesa, ao alcance de suas mãos pálidas enquanto a chuva batia forte em sua janela. No papel o começo de um desenho, um rosto sem expressão nenhuma emoldurado por cabelos longos e escuros que ela simplesmente não conseguia terminar. Podia chorar de frustração, fazia tanto tempo assim desde que fazia aquilo?

          Pensou nos últimos meses e pensou também no quanto estava cansada, no quanto sua vida havia se tornado difícil. Quem tivera a brilhante idéia de mascarar o lado mais feio da vida e só mostrá-lo agora? Sentia-se tão fraca e cansada que às vezes tinha vontade de sentar e chorar, mas sabia que não podia. Havia passado da época de chorar por qualquer coisa, os anos haviam passado e ela agora era uma mulher adulta. Adultos deveriam enfrentar seus problemas de frente não?

Porque raios parecia tão difícil?

          Fitou novamente o rosto sem expressão se lembrando de seus últimos desenhos antes de sua vida se tornar um caos. Eram todos sorridentes e tinham olhos brilhantes e esperançosos. Porque simplesmente não podia resgatá-los? Aonde seus sorrisos haviam se perdido? Quando respirar havia se tornado tão complicado e exaustivo? Quando havia se tornado tão amarga? Não sabia ao certo precisar, só sabia que estava insuportável, ao ponto de não aturar a si mesma.

          Largou o lápis com raiva e deitou-se brevemente sobre a mesa, as pálpebras pesando e se fechando lentamente. Sem perceber acabou dormindo...
Acordou com os raios de sol incomodando-a e resmungou qualquer coisa, extremamente irritada, esquecera a porcaria da cortina aberta! Abriu os olhos e se ergueu, assustando-se em seguida quando percebeu que não estava mais em sua sala monocromática, mas sim em um campo aberto com flores tão amarelas que seriam capazes de ofuscar-lhe a vista. O que havia acontecido? Moveu-se incerta notando que seus pés estavam descalços e o cabelo antes preso solto, balançando ao sabor do vento bem como o vestido branco que usava.

          Caminhou por um bom tempo, imersa na sensação de paz que aquele lugar lhe trazia. As flores dançando levemente junto a brisa e em um dado momento ela pôde jurar que uma música havia começado a tocar, vinda sabe-se lá de onde. Não era possível determinar, apenas ouvir. Fechou os olhos por alguns segundos, sentindo cada acorde da melodia entrar em si e tocar o ponto mais fundo de seu ser. Sorriu abertamente e assim ficou até sentir um toque gelado em seu pulso abrindo os olhos rapidamente devido ao susto acabando por assustar a pessoa que lhe tocara.

          A menina virou-se e apenas saiu correndo e ela sem pensar muito saiu em seu encalço, seguindo o rastro que os cabelos cor de ébano deixavam conforme a garota se mexia, procurando sumir entre todas aquelas flores. Queria gritar-lhe para parar de correr, mas por algum motivo sua voz não saía então apenas continuou correndo, notando que conforme se afastavam, as flores se tornavam menos amarelas e as cores pareciam sumir gradativamente.

          Demorou um tempo para que ela finalmente parasse de correr, as cores agora haviam sumido e o lugar parecia estranhamente silencioso, tanto que dava até agonia. A garota apenas apontou e seus olhos rapidamente seguiram a direção se arregalando com o que viram. Ali, no meio de todo aquele cinza, havia apenas um ponto colorido. Uma pequena flor amarela quase murcha que parecia lutar para sobreviver.

          Sem perguntar nada se aproximou, agachando-se do lado da flor e sentindo um estranho aperto no coração quase uma tristeza. Virou-se na direção da garota e se assustou novamente quando esta se abaixou ao seu lado, o cabelo cobrindo-lhe a expressão enquanto os dedos finos tocavam a flor tão frágil que parecia prestes a quebrar. Sentiu-se triste por ela e tocou de leve o ombro, vendo-a se assustar erguer a cabeça em sua direção. Subitamente sentiu seus olhos arderem e os coçou, vendo a menina se transformar em um grande borrão.

          “Está lutando bravamente para não ceder, mas ainda mantém sua luz...” –A voz soou baixa em seus ouvidos, como um sussurro e arrepiou todos os pelos de seu corpo. Quando abriu os olhos de novo suprimiu um grito de susto. A menina estava parada a sua frente e os olhos negros tão iguais aos seus estavam vidrados nos seus enquanto um sorriso travesso brincava em sua face. “Cuide bem de mim...” e em seguida tudo se transformou em um grande clarão.

          Acordou num sobressalto, derrubando todos os papéis que estavam sobre a mesa. Respirava ofegante, ainda afetada pelo sonho. Buscou os papéis no chão, remexendo-os freneticamente até encontrar seu último desenho incompleto, ainda sem nenhuma expressão. Fitou-os por alguns segundos e logo recomeçou a rabiscar mordendo a língua de leve enquanto deixava o grafite sujar o papel.


         Quando finalmente acabou, um sorriso travesso brincava em seu rosto. A menina agora tinha uma expressão, nem triste tampouco alegre demais. No rosto dela havia um sorriso tranqüilo enquanto seus olhos passavam determinação e até certo cansaço, assim como a expressão de que alguém que luta, mas se recusa a desistir, crendo que tudo dará no certo no final.

          A vida podia ser difícil e cruel na maioria das vezes, cansando-a e ofuscando sua luz e sua inocência, mas ela sabia ah se sabia, não iria deixar ambas morrerem por mais complicado que fosse de cuidar. Por mais árdua que a vida fosse, jamais deixaria que ela vencesse porque aquele era um jogo para dois e ela podia não ser a melhor jogadora, mas certamente era aquela que não desistia.
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A dor da impotência.

Posted by Carol Riff On 18.5.12 0 comentários
Impotência é uma palavra irritante. Denota falta de movimento, incapacidade e faz com que eu me sinta só um pedaço de ossos e músculos inúteis. E impotente é como eu me sinto agora, com vontade de ajudar uma pessoa que eu gosto muito mas sem no entanto poder fazê-lo. Assim como essa pessoa é impotente em trazer de volta alguém precioso que perdeu.

Me contorço de vontade de gritar o quanto certas coisas são injustas mas todos sabemos que a vida é uma caixinha de surpresas. O único problema é que essas "surpresas" não são que nem as que nós tínhamos quando éramos crianças, quando nossos pais chegavam com um brinquedo novo não planejado... Não, certamente não são, as vezes, elas são como uma grande bomba atômica, daquelas que deixam um cogumelo de fumaça no céu.

Uma grande bomba de merda. 

E que na maioria das vezes não se pode impedir. Um grande colapso avassalador que sai destruindo tudo que encontra em seu caminho. E novamente nos vemos impotentes diante de toda a destruição... É difícil e amargo mas é algo que temos que aceitar, porque a vida é injusta e nossas lágrimas ainda vão cair por muitos motivos diferentes.

Que bom que existem os amigos né?

Não me importo se isso aí de cima ficou confuso, a questão é que isso é mais um desabafo diante de uma notícia que me choca e mata uma parte de um grande amigo meu, sendo algo que ninguém pode impedir ou mudar. Tudo que eu mais queria era poder abraçar essa pessoa, mas ela está longe então só posso rezar com todo meu coração para que essa dor que ele está sentindo agora diminua até que só restem coisas boas para se lembrar.

Força Matheus...R.I.P Estrela ~ Mais uma que surge no céu. Um bichinho adorável que eu nem conheci, mas que certamente marcou todos que conviveram com ela.
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Gomenasai for everything

Posted by Carol Riff On 6.4.12 0 comentários

Dói, arde como os olhos após longas horas de choro intenso. Dói pensar em si mesmo como um estorvo, dói, tentar de todas as formas ajudar e nunca ser o bastante. Pesa sobre a alma a sensação de nunca estar fazendo certo. Dói não ser exatamente o que você queria, não te orgulhar tanto quanto eu gostaria, não ser forte que nem eu deveria ser, nem tampouco orgulhosa o suficiente.
Te juro que eu queria ser a melhor, mas nem tudo está ao meu alcance.
Dói ver você mal e não ser capaz de fazer nada, agonia e queima por dentro cada vez que eu penso nos números que tiram o teu sono todo final de mês. E a única coisa que eu posso fazer é pedir desculpas.

Desculpa por não ser a melhor, por não saber o que fazer, por chorar por qualquer coisa, por fazer as perguntas erradas nas horas erradas e por viver decepcionando você. Porque essa era a única coisa que eu não queria fazer. Mas não deu muito certo né?
Me desculpe por não ser como você esperava. Por não ser igual a você.

Me desculpe.
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Autobiográfico ~ 08/10/11

Posted by Carol Riff On 8.10.11 1 comentários
Abriu as janelas com força, sentindo a brisa gelada que vinha acompanhada dos pingos da chuva forte que castigava a terra. A música tocando alta no quarto, ressoando em cada pequeno pedaço de sua alma, envolvendo-a e trazendo paz. Sorriu largo, nem sequer ligando para o fato da roupa começar a colar no corpo, a voz soando firme junto com a do cantor.
Havia tanta coisa errada em sua vida que ela nem sabia por onde devia começar a consertar. Tantos erros, tantas palavras estúpidas ditas e tantas guardadas. Tantas mágoas e sentimentos engaiolados que às vezes afloravam com força, levando-a às lágrimas... Tantos momentos que ela queria eternizar.

Olhou para si mesma enxergando aquele mesmo tom claro de azul... Queria tanto ser como as outras pessoas, feita daquelas cores quentes e vibrantes! Mas não podia. Quantas vezes não desejara poder mudar a si mesma, quantas vezes não pintara a si mesma de laranja, só para ver a tinta escorrer?

Sorriu de forma amarga, como quando fazia cada vez que queria se esconder. Sua pele lisa escondendo as cicatrizes de sua alma, que apesar de não serem muitas, haviam transformado e muito sua vida. Era quase estranho olhar para trás e se deparar com um sorriso inocente de uma menina de ingenuidade tamanha. Ainda era a mesma, mas o mundo a ensinara que nem todas as pessoas são boas.

Continuava tendo as mesmas manias, os mesmos ataques, chorando pelas mesmas coisas e tendo os mesmos medos. Continuava se sentindo culpada cada vez que era egoísta e continuava morrendo de medo do futuro incerto que sempre lhe esperava.

Medo, maldito medo que lhe segurava os tornozelos com força, impedindo-a de ir para frente. Mesmo medo que derrubava sua infantaria com um golpe, que transformava toda sua convicção em pó e que fazia de sua vida um grande terremoto. O mesmo medo que ela sabia ter de enfrentar, o mesmo com o qual ela sempre lutou...

Sentia-se muitas vezes deslocada, uma estranha no meio das pessoas, um pequeno patinho feio no meio de cisnes e a pequena ovelha negra da família. Amava demais e talvez por isso se doasse demais, arranjando muitas decepções no processo mas nunca aprendendo a amar menos. Se perguntava muitas vezes se as coisas poderiam ter sido diferentes e se havia algo de errado com ela;

Tantas perguntas, capazes de parar uma vida. Ergueu-se, os cabelos pingando e sorriu de modo inocente. Sabia bem de suas limitações e problemas, mas também tinha certeza de que não fora feita para desistir. Havia sobrevivido até ali, mantido as chamas de seu fogo, que por mais que vacilassem as vezes, acesas. Apanhando da vida e apenas aprendendo a como bater, pois sabia que quem desiste não nasce para vencer.

Podia cair e cair, mas seria estaria disposta a levantar.
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