[Antes de começar a fazer o post, uma pequena atualização aos poucos que acompanhavam meu bloguinho lindo antes: Depois de muito confabular e me debater de vontade de escrever algo mais além dos meus contos pequenos, eu decidi que ia mudar o estilo do blog, introduzindo também posts com a minha opinião e coisas cotiadianas. Em suma, isso quer dizer que vão me ver mais por aqui haha. Agora sim, vamos ao post de hoje.]
Durante a semana, uma imagem postada no facebook trouxe uma certa polêmica em algum grau de intensidade, despertando também a minha atenção. E bom o título do post não está aí atoa né? A questão é sim sobre a homosexualidade (Homosexualismo se torna incorreto porque -ismo é um sufixo que tem a ver com doenças).
O fato é: Estava eu no meu facebook quando aparece uma imagem com fotos de dois homens e uma foto de duas mulheres com o título "Isso NUNCA será aceito por Deus" seguido dos dizeres "Com homem não te deitarás como se fosse mulher, isso é abominação" que deve ter sido retirado da bíblia católica ou algo do tipo (Me perdoem por ser leiga).
Eu não sou muito religiosa, ou melhor dizendo, não sou nem um pouco religiosa, mas tenho a minha fé, acredito nos meus santos e acima de tudo em Deus e ao ver essa imagem só pude pensar em uma única coisa :Pré-Conceito. Por que ao menos o Deus em que eu acredito não abomina ninguém por tentar ser feliz. Sim, feliz, pois estas pessoas como qualquer um de nós também buscam sua felicidade, que por algum acaso do destino é encontrada nos braços de um semelhante. Pra mim, pessoas se apaixonam por pessoas e não por seus gêneros.
Friso que essa é somente a minha humilde opinião mas eu realmente acredito que se uma pessoa não é feliz sendo hétero e é feliz com semelhantes, ela deve escolher esse caminho para sua vida, o que todos sabemos que não é fácil, pois se fosse, milhares de jovens inocentes, que não fizeram nada além de uma escolha que não afeta ninguém além deles mesmos, não morreriam espancados (Espancados! Por nada!)
Novamente, eu não consigo entender como as pessoas podem preferir um "amor hétero" que é forjado, fingido e que torna um ser completamente infeliz, pregando que se esse se entregar a um igual ele será jogado no fogo do inferno; Não faz sentido! Pelo menos para mim não faz! Eu com toda certeza prefiro ver duas mulheres ou dois homens felizes do que uma família tradicional (Politicamente correta para os padrões) onde ninguém consegue se entender e todos se odeiam. É isso que é abençoado? Infelicidade que gera infelicidade que torna a vida de uma pessoa um inferno? Isso me soa completamente hipócrita e sem nexo e é por esses e outros motivos que eu bato pé sim e que defendo não somente os homosexuais mas sim as pessoas que querem ser felizes.
Defendo sim as pessoas que enfrentam tudo e todos para buscar sua essência, para viver aquilo que desejam e sonhar.
Sejam eles meninos ou meninas. De corpo e de alma
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Durante a semana, uma imagem postada no facebook trouxe uma certa polêmica em algum grau de intensidade, despertando também a minha atenção. E bom o título do post não está aí atoa né? A questão é sim sobre a homosexualidade (Homosexualismo se torna incorreto porque -ismo é um sufixo que tem a ver com doenças).
O fato é: Estava eu no meu facebook quando aparece uma imagem com fotos de dois homens e uma foto de duas mulheres com o título "Isso NUNCA será aceito por Deus" seguido dos dizeres "Com homem não te deitarás como se fosse mulher, isso é abominação" que deve ter sido retirado da bíblia católica ou algo do tipo (Me perdoem por ser leiga).
Eu não sou muito religiosa, ou melhor dizendo, não sou nem um pouco religiosa, mas tenho a minha fé, acredito nos meus santos e acima de tudo em Deus e ao ver essa imagem só pude pensar em uma única coisa :Pré-Conceito. Por que ao menos o Deus em que eu acredito não abomina ninguém por tentar ser feliz. Sim, feliz, pois estas pessoas como qualquer um de nós também buscam sua felicidade, que por algum acaso do destino é encontrada nos braços de um semelhante. Pra mim, pessoas se apaixonam por pessoas e não por seus gêneros.
Friso que essa é somente a
Novamente, eu não consigo entender como as pessoas podem preferir um "amor hétero" que é forjado, fingido e que torna um ser completamente infeliz, pregando que se esse se entregar a um igual ele será jogado no fogo do inferno; Não faz sentido! Pelo menos para mim não faz! Eu com toda certeza prefiro ver duas mulheres ou dois homens felizes do que uma família
Defendo sim as pessoas que enfrentam tudo e todos para buscar sua essência, para viver aquilo que desejam e sonhar.
Sejam eles meninos ou meninas. De corpo e de alma
Abriu as janelas com força, sentindo a brisa gelada que vinha acompanhada dos pingos da chuva forte que castigava a terra. A música tocando alta no quarto, ressoando em cada pequeno pedaço de sua alma, envolvendo-a e trazendo paz. Sorriu largo, nem sequer ligando para o fato da roupa começar a colar no corpo, a voz soando firme junto com a do cantor.
Havia tanta coisa errada em sua vida que ela nem sabia por onde devia começar a consertar. Tantos erros, tantas palavras estúpidas ditas e tantas guardadas. Tantas mágoas e sentimentos engaiolados que às vezes afloravam com força, levando-a às lágrimas... Tantos momentos que ela queria eternizar.
Olhou para si mesma enxergando aquele mesmo tom claro de azul... Queria tanto ser como as outras pessoas, feita daquelas cores quentes e vibrantes! Mas não podia. Quantas vezes não desejara poder mudar a si mesma, quantas vezes não pintara a si mesma de laranja, só para ver a tinta escorrer?
Sorriu de forma amarga, como quando fazia cada vez que queria se esconder. Sua pele lisa escondendo as cicatrizes de sua alma, que apesar de não serem muitas, haviam transformado e muito sua vida. Era quase estranho olhar para trás e se deparar com um sorriso inocente de uma menina de ingenuidade tamanha. Ainda era a mesma, mas o mundo a ensinara que nem todas as pessoas são boas.
Continuava tendo as mesmas manias, os mesmos ataques, chorando pelas mesmas coisas e tendo os mesmos medos. Continuava se sentindo culpada cada vez que era egoísta e continuava morrendo de medo do futuro incerto que sempre lhe esperava.
Medo, maldito medo que lhe segurava os tornozelos com força, impedindo-a de ir para frente. Mesmo medo que derrubava sua infantaria com um golpe, que transformava toda sua convicção em pó e que fazia de sua vida um grande terremoto. O mesmo medo que ela sabia ter de enfrentar, o mesmo com o qual ela sempre lutou...
Sentia-se muitas vezes deslocada, uma estranha no meio das pessoas, um pequeno patinho feio no meio de cisnes e a pequena ovelha negra da família. Amava demais e talvez por isso se doasse demais, arranjando muitas decepções no processo mas nunca aprendendo a amar menos. Se perguntava muitas vezes se as coisas poderiam ter sido diferentes e se havia algo de errado com ela;
Tantas perguntas, capazes de parar uma vida. Ergueu-se, os cabelos pingando e sorriu de modo inocente. Sabia bem de suas limitações e problemas, mas também tinha certeza de que não fora feita para desistir. Havia sobrevivido até ali, mantido as chamas de seu fogo, que por mais que vacilassem as vezes, acesas. Apanhando da vida e apenas aprendendo a como bater, pois sabia que quem desiste não nasce para vencer.
Podia cair e cair, mas seria estaria disposta a levantar.
Dançava, a música alta entrando em cada um de seus poros, lavando sua alma, levando embora a tristeza que sempre carregava consigo. Movia-se na batida frenética, nem sequer prestando atenção no mundo ao seu redor. Os olhos fechados, um sorriso sereno e satisfeito no rosto; Estava em paz.
Era ali, naquele pequeno momento, entre tantas pessoas que a menina tímida, sempre escondida pelos óculos de armação grossa se tornava uma grande mulher. Era ali que ela se sentia feliz, com seu lápis preto e seu batom vermelho, com seu vestido favorito e o seu all-star já gasto.
As pessoas lhe fitavam, as mulheres invejando sua dança e os homens cobiçando-a, mas ela não se importava. Cantarolava suas letras favoritas e sacudia os cabelos pretos de um lado para o outro, quase como se quisesse lembrar que eles estavam realmente soltos.
As pessoas lhe fitavam, as mulheres invejando sua dança e os homens cobiçando-a, mas ela não se importava. Cantarolava suas letras favoritas e sacudia os cabelos pretos de um lado para o outro, quase como se quisesse lembrar que eles estavam realmente soltos.
Abriu um sorriso largo, o que será que a mãe diria se a visse daquele jeito?
Riu alto; Certamente a mulher ia arrastá-la pelos cabelos até sua casa, lhe dizendo que não havia criado uma filha para tamanha humilhação. Ela simplesmente não entendia.
Finalmente, os olhos cerrados se abriram, fitando tudo e todos, sem no entanto fixar-se em ninguém. Caminhou lentamente em direção ao bar, pedindo um refrigerante qualquer, recebendo olhares curiosos por parte dos outros, apenas sorrindo como quem diz “O que foi? Nunca viu ninguém beber refrigerante não?”.
O barman sorriu para ela, já estava acostumado e conhecia aquela menina de longa data. Conhecia todos os seus lados, tanto a menina que vivia de maria chiquinha e livros nos braços quanto a mulher que dançava de um jeito simples que funcionava como imã aos olhos alheios. E amava ambos.
Ela simplesmente pegou o copo e sorveu um gole, notando uma pequena agitação por parte das meninas que se encontravam no meio da pista e deu de ombros sem nem virar o rosto em direção ao lugar. Continuaria bebendo suacoca-cola se uma silhueta grande não tivesse sentado ao seu lado.
A menina-mulher então, desviou suas orbes chocolate para o recém-chegado, sentindo o coração falhar em uma batida. Era ele, o dito cujo que a ignorava completamente quando ela estava com seus óculos grandes de grau alto.Ele sorriu, um sorriso branco e genuíno, mas ainda assim cheio de segundas intenções e ela retribuiu, ajeitando de leve os cabelos negros que havia saído do lugar.Ele então se ergueu, puxando-a pela cintura, trazendo-a para dançar consigo e ela apenas alargou mais o seu sorriso, dançando conforme a música pedia.
Lá pelas tantas, uma boca atrevida procurou a sua e ela simplesmente desviou o rosto, recebendo o beijo quente em sua bochecha, seguido de um olhar confuso por parte do garoto; Ela então sorriu largo, tirando os óculos garrafais de dentro de sua bolsa pequena e colocando no rosto, rindo sonoramente da cara de espanto que o outro fez para então virar-se para o barman, seu amigo de todas as horas e dar-lhe um beijo estalado na bochecha, vendo-o arregalar os olhos da mesma forma que o outro fizera.
Lá pelas tantas, uma boca atrevida procurou a sua e ela simplesmente desviou o rosto, recebendo o beijo quente em sua bochecha, seguido de um olhar confuso por parte do garoto; Ela então sorriu largo, tirando os óculos garrafais de dentro de sua bolsa pequena e colocando no rosto, rindo sonoramente da cara de espanto que o outro fez para então virar-se para o barman, seu amigo de todas as horas e dar-lhe um beijo estalado na bochecha, vendo-o arregalar os olhos da mesma forma que o outro fizera.
Sorriu para ambos, piscando um olho e virou-se, caminhando daquele mesmo jeito cheio de suingue de volta para a saída. O coração leve e a alma radiante.
E a certeza de que vencera todas as barreiras de sua timidez.
Eu certamente não sou a pessoa mais sábia do mundo, nem a mais madura delas para saber exatamente como lidar com algumas situações. Na verdade, eu me torno uma criança muito mais chorona do que deveria diante de algumas coisas...
Não sou muito boa com as palavras, e elas sempre me fogem quando eu preciso delas, sobrando-me apenas os gestos que nem sempre são compreendidos e nem sempre tem o efeito que eu desejava. A verdade é que na maioria das vezes meus gestos acabam soando muito mais triviais do que eu realmente desejava que fossem e eu nunca sei o que fazer quando isso acontece... Talvez eu deva me desculpar com todos por causa disso.
Todos nós vivemos sabendo que não vamos nadar sempre num mar de rosas e que as nuvens fofas podem se tornar espinhos rapidamente e que nem sempre as coisas vão dar certo como agente espera que dêem... Aliás, todos sabemos que elas vão dar errado uma penca de vezes antes de darem realmente certo, quase como se fosse “aquilo que deveria acontecer” mas não é esse “saber” que vai minimizar as coisas ruins que acabam vindo nesse momento... Nada pode minimizar, ou talvez o tempo possa fazer essas coisas sumirem pouco a pouco.
Não sou muito boa com as palavras, e elas sempre me fogem quando eu preciso delas, sobrando-me apenas os gestos que nem sempre são compreendidos e nem sempre tem o efeito que eu desejava. A verdade é que na maioria das vezes meus gestos acabam soando muito mais triviais do que eu realmente desejava que fossem e eu nunca sei o que fazer quando isso acontece... Talvez eu deva me desculpar com todos por causa disso.
Todos nós vivemos sabendo que não vamos nadar sempre num mar de rosas e que as nuvens fofas podem se tornar espinhos rapidamente e que nem sempre as coisas vão dar certo como agente espera que dêem... Aliás, todos sabemos que elas vão dar errado uma penca de vezes antes de darem realmente certo, quase como se fosse “aquilo que deveria acontecer” mas não é esse “saber” que vai minimizar as coisas ruins que acabam vindo nesse momento... Nada pode minimizar, ou talvez o tempo possa fazer essas coisas sumirem pouco a pouco.
A dor existe, o sofrimento é opcional.
Existem aqueles que vão se deixar levar pela dor e aqueles que vão erguer a cabeça perante seu olhar debochado e vão rir, dizendo que logo não irão mais senti-la. Nunca é fácil, mas quase nunca vai se estar sozinho. Virar páginas sempre vai ser necessário porque como já diz o ditado “Quem vive de passado é museu”, e se por acaso essa página esteja muito pesada para se virar sozinho, sempre pode-se contar com as mãos amigas.
E é por isso que eu, nas minhas humildes limitações, nos meus gestos travados e nas minhas palavras não-ditas, escrevi esse texto e o dedico a todos àqueles que amo e prezo, dedicando em especial a um ser maravilhoso cheio das mais variadas qualidades que não cabe a mim descrever, pois assim como dito anteriormente eu não sou muito boa com consolos e então faço o que posso.
E com estas minhas palavras que eu digo que vou estar sempre aqui pra você pronta para passar a página com você, caso ela esteja muito pesada. Te amo tá?
E com estas minhas palavras que eu digo que vou estar sempre aqui pra você pronta para passar a página com você, caso ela esteja muito pesada. Te amo tá?
Think of what could be if you rewrite the hole you play, and look back on yesterday. ♫
~19 de Agosto de 2011 - Dia do "Quero recomeçar minha vida"
Os dedos finos correram pela superfície do espelho, enquanto os olhos capturavam cada detalhe do rosto, as maçãs coradinhas, os olhos bondosos e o sorriso amigável e simpático de alguém que estava sempre disposto a ajudar.
Sorriu. Era linda como uma bonequinha de porcelana, os fios morenos lhe caindo em cachos pelos ombros, a pele branquinha e lisinha quase sem imperfeições e o vestido feito do tecido caro com as rendas delicadas que lhe davam um ar ainda mais angelical. Atraía todos os olhares por onde passava e sorria diante deles.
Sorriu. Era linda como uma bonequinha de porcelana, os fios morenos lhe caindo em cachos pelos ombros, a pele branquinha e lisinha quase sem imperfeições e o vestido feito do tecido caro com as rendas delicadas que lhe davam um ar ainda mais angelical. Atraía todos os olhares por onde passava e sorria diante deles.
Acenava levemente para as pessoas que lhe admiravam. Moças tagarelavam sobre sua beleza e a invejavam por parecer tão perfeita. Um anjo sem asas que andava sobre a terra.
Continuava fitando o espelho, notando que aos poucos a imagem se tornava embaçada e distorcida, só percebendo do que se tratava quando a primeira lágrima lhe desceu pela face, correndo rapidamente pela bochecha levemente corada e morrendo no tecido que lhe tomava parte do pescoço. E depois dela, muitas outras vieram, levando consigo a maquiagem perfeita que ela havia feito ao se arrumar.
Sentiu os joelhos tremerem, incapazes de sustentar o peso do corpo que agora parecia pesar toneladas, caindo no chão e sujando o vestido claro que vestira. Os soluços altos preenchiam o quarto silencioso enquanto ela sentia uma mão invisível comprimindo-lhe a garganta e roubando todo seu ar. Sentia-se sufocar, sufocar naquela mentira toda, sufocar naquilo que não era, naquilo que tentara ser e não conseguira.
Continuava fitando o espelho, notando que aos poucos a imagem se tornava embaçada e distorcida, só percebendo do que se tratava quando a primeira lágrima lhe desceu pela face, correndo rapidamente pela bochecha levemente corada e morrendo no tecido que lhe tomava parte do pescoço. E depois dela, muitas outras vieram, levando consigo a maquiagem perfeita que ela havia feito ao se arrumar.
Sentiu os joelhos tremerem, incapazes de sustentar o peso do corpo que agora parecia pesar toneladas, caindo no chão e sujando o vestido claro que vestira. Os soluços altos preenchiam o quarto silencioso enquanto ela sentia uma mão invisível comprimindo-lhe a garganta e roubando todo seu ar. Sentia-se sufocar, sufocar naquela mentira toda, sufocar naquilo que não era, naquilo que tentara ser e não conseguira.
E foi então que o milagre aconteceu.
O “CRACK” feito pelo espelho a assustou, e ela se ergueu rapidamente, ainda a tempo de ver sua imagem refletida no espelho rachado que criava uma imagem ainda disforme de sua figura outrora perfeita. A imagem de uma máscara caindo. Atônita, ela observou os pedaços rachados do espelho caírem no chão, se transformando em milhões de cacos que não pareciam lhe acertar.
Revelando-lhe alguém.
Recuou alguns passos, assustada com o que estava “atrás” do espelho. A menina rebelde lhe sorriu, sacudindo os cabelos castanhos parcialmente tingidos de vermelho, fazendo as correntes presas à calça jeans surrada produzirem um som. Fitou-lhe atentamente por alguns instantes, o olho adornado por um lápis preto e a boca por um piercing negro e a menina empalideceu.
A figura lhe sorriu debochada, balançando a cabeça negativamente e a menina finalmente notou o quanto eram iguais. O assombro foi diminuindo, enquanto aquela versão dela mesma lhe estendia a mão, em um pedido mudo.
Revelando-lhe alguém.
Recuou alguns passos, assustada com o que estava “atrás” do espelho. A menina rebelde lhe sorriu, sacudindo os cabelos castanhos parcialmente tingidos de vermelho, fazendo as correntes presas à calça jeans surrada produzirem um som. Fitou-lhe atentamente por alguns instantes, o olho adornado por um lápis preto e a boca por um piercing negro e a menina empalideceu.
A figura lhe sorriu debochada, balançando a cabeça negativamente e a menina finalmente notou o quanto eram iguais. O assombro foi diminuindo, enquanto aquela versão dela mesma lhe estendia a mão, em um pedido mudo.
“Liberte-se”
E ela, munida de uma força que nem sabia existir, sem qualquer hesitação, segurou a mão de sua “gêmea” vendo-a sorrir acenando positivamente.
“Seja você mesma”
A menina acordou sobressaltada, olhando e volta e notando o mesmo espelho intacto, sem nenhuma rachadura. Ergueu-se fitando aquela mesma imagem de antes, agora com a maquiagem borrada e torceu a cara levemente. Não queria aquilo, não mais.
Sorriu debochadamente, assim como se lembrara de sua sósia, enquanto as mãos se guiavam para o cabelo, soltando a trança que prendia os fios morenos, deixando-os caírem livres por suas costas. Seus olhos passearam pelo quarto, notando a pequena tesoura esquecida sobre a mesa.
E a mente brilhou em uma idéia.
E a mente brilhou em uma idéia.
Tomou a tesoura entre suas mãos e rapidamente a enfiou no meio dos fios longos e uniformes, começando a picotar tufos de cabelo em diferentes direções, sorrindo mais e mais com cada pedacinho que caía no chão. Ria como uma criancinha.
Fitou o vestido que usava, pomposo e caro, mais uma vez colocando sua tesoura para agir, transformando a máscara em um belo acessório. Os risos altos preenchiam o quarto, e logo sua mãe foi ver o que estava acontecendo.
Fitou o vestido que usava, pomposo e caro, mais uma vez colocando sua tesoura para agir, transformando a máscara em um belo acessório. Os risos altos preenchiam o quarto, e logo sua mãe foi ver o que estava acontecendo.
Quase tendo um infarto ao ver aquela cena.
Dentro do quarto, uma menina com cabelos picotados, blusas largas e calça jeans, sorria de orelha a orelha, terminando de retalhar a saia de seu vestido. Expurgando toda aquela sensação ruim que lhe tomava o coração sempre que se via no espelho. Destruindo aquela máscara que ela já estava farta de usar. Quebrando a parede de vidro que a separava de sua essência.
18 de Agosto de 2011